Arnaldo Angeli Filho, nasceu em 31 de agosto de 1956 na cidade de São Paulo e já aos 14 anos, publicou seu primeiro desenho na extinta revista Senhor.
Em 1973 foi convidado a desenhar para o jornal Folha de São Paulo, onde além de charges políticas, criou para a seção de quadrinhos, a tira diária Chiclete com Banana, título que lançou personagens como Rê Bordosa, Bob Cuspe, Wood & Stock e os Skrotinhos e em 1985, transformou-se numa revista de quadrinhos independente, com inquestionavel influência no mercado editorial.
Autor de vários livros, participante de alguns festivais de comics da Europa e colaborador do jornal Diário de Notícias de Lisboa, Angeli teve seus trabalhos publicados pelas revistas Linus, de Milão; El Vibora, de Barcelona; Humor, de Buenos Aires e um álbum, Os Skrotinhos, editado em Lisboa.
Atualmente, trabalha com exclusividade para Folha de São Paulo e para o provedor Universo Online, desenvolvendo quadrinhos animados para a internet.

Os Skrotinhos em "Os Skrotinhos 2"
Para ser lido no casa de banho
Ele criou personagens essenciais ao folclore dos tempos atuais. É dono de um humor destrutivo, mal-educado, crítico. Publica diariamente em mais de 15 jornais do país e de Portugal. Adora rock’n’roll e costuma dizer que queria ser um acorde de Satisfaction, dos Rolling Stones. Repetiu quatro vezes a quinta-série, até decidir largar os estudos e viver de desenhar. Conhecido pelo sobrenome, Angeli é também o convidado de honra para inaugurar o Esquina da Palavra Jovem, no Itaú Cultural, às 15h, nessa quarta-feira (21).
O histórico escolar dificilmente revelaria o talento inteligente do desenhista, de 46 anos, que assiste calmamente ao amadurecimento de sua obra, com a transformação das tirinhas de jornal em livros e cinema. Seus personagens, como Os Skrotinhos, a Rê Bordosa e os novos Luke e Tantra, são respeitados e queridos pelo público. Suas criações têm densidade e transitam entre o quadrinho e a literatura, com jeito de personagem de livro e bom-humor.
A participação no Esquina da Palavra, evento que promove encontros entre escritores e público, reconhece a faceta literária do desenhista, nascido em São Paulo e batizado com o nome do pai, Arnaldo Angeli. A conversa deverá fluir livremente, de acordo com o ânimo dos participantes. “Me sinto ridículo quando chego a uma palestra com um texto preparado. Vou deixar a conversa acontecer”, adianta.
O amadurecimento da obra tem levado seus personagens a um público mais seleto e a produtos menos perecíveis que páginas de jornal. Ano que vem, o primeiro longa de animação com personagens do autor chega aos cinemas brasileiros, Wood & Stok: Sexo, orégano e rock’n’roll. Dirigido pelo gaúcho Otto Guerra, o filme tem agradado ao cartunista, que acompanha passo a passo as filmagens, e está selecionado para participar do festival de cinema americano Sundance.
“O Otto é da mesma geração que eu, fã de rock. Pensamos parecido e o filme está ficando bom, mas, se pudesse, implicaria com várias coisas”, declara. Além de cinema, também tem aparecido em livros. A editora Devir lançou, esse ano, quatro volumes com tiras do autor, a série Sobras Completas. “Continuo escrevendo para o cara que me lê no banheiro. Pra mim, quadrinho é coisa de moleque”, defende.
Rock’n’roll – A carreira do cartunista, com história escolar atípica, é exemplo de sucesso profissional sem prejuízo do talento. “Meu histórico escolar é medíocre. Não foi nenhuma glória repetir de ano várias vezes. Mas era condizente com o momento, a ditadura militar, e meu jeito de ser. Quando ouvi Satisfaction, pela primeira vez, queria ser aquele acorde. Minha linguagem, meus hábitos, meu cabelo, tudo era mais para o rock do que para o modelo da ditadura”, explica.
A partir daí, começou a se dedicar ao desenho. Em 70, aos 14 anos, emplacou o primeiro na extinta revista Senhor. Seguiu pelo caminho e, na década de 80, alçou o quadrinho brasileiro a patamar nunca, antes ou depois, alcançado com a revista Chiclete com Banana. A publicação trazia personagens impagáveis – como Bob Cuspe e Rê Bordosa - e lançou outras criações como Walter Ego, Rhalah Rikota, Bibelô, Meiaoito e Nanico, Mara Tara, Wood & Stock e Os Skrotinhos.
Uma diversidade de desenhistas atuantes hoje, como Laerte e Glauco, confessa que foi a revista o empurrão para entrarem na carreira. Apesar do sucesso, a Chilcete com Banana não resistiu às crises econômicas do país. Mas Angeli sobreviveu. Hoje, suas principais atividades são as tirinhas diárias e as charges políticas da Folha de SP e tiras e ilustrações publicadas semanalmente no UOL (http://www.uol.com.br/humor).
Para o futuro, os planos são de continuar desenhando. “Por mais que minhas histórias se aproximem da literatura, não pretendo deixar o desenho de lado. Não tenho fluência suficiente para escrever. Meu pensamento une palavra e desenho. Essa e minha linguagem”, completa.