Do Editorial
Iniciamos então uma nova fase do BDjornal, com esta 13ª edição, agora a sair bimestralmente. E se encerrámos a 1ª fase com algum cepticismo, pelos fracos resultados de vendas apurados, recomeçamos com nova energia, não só pelo prazer de publicar também agora banda desenhada de autores portugueses, com vinte páginas a cor, mas ainda pelo facto de nos terem massajado o ego com dois Prémios atribuídos no mesmo dia (27 de Maio): o Prémio de Imprensa na Defesa da Banda Desenhada, pelas XXII Jornadas de Banda Desenhada da Sobreda e o Troféu para a Melhor Publicação em Banca 2006, pelo portal Central Comics, na IV Edição dos seus Troféus anuais.
O que mais nos motiva nesta fase é mesmo a publicação de banda desenhada, embora não fosse um propósito inicial do projecto. Contudo, os projectos (especialmente como este) não podem ser estáticos e imutáveis, têm de ser capazes de realizar adaptações, conforme os ecos chegados do público e criando sinergias com outras entidades semelhantes, apostadas nos mesmos objectivos de divulgar em larga escala a banda desenhada que, mau grado as vozes dissonantes, se continua a produzir por estas bandas.
Assim, com uma pequena redução do formato, para que as pranchas não se mostrassem em “tamanho XXL” e aligeirando um pouco a componente informativa, foi possível reunir algumas propostas interessantes em matéria desenhada. Começo por referir a possibilidade que a Devir nos proporcionou para a inclusão nesta edição, de (para já) uma das Black Box Stories, o tão falado projecto que, partindo de textos de José Carlos Fernandes, envolve uma série de desenhadores, referidos na página 17, de apresentação. Depois, um preview do novo álbum da bruxinha Morgana, de José Abrantes (qualquer dia vamos ter de falar sobre a importância de se fazer BD para crianças, senão elas não se habituam a lê-la) e logo a seguir, também um preview do interessante projecto de Filipe Pina e Filipe Andrade, intitulado BRK e que, conforme a aceitação do público e perspectivas dos autores, poderá vir a ser publicado no BDjornal em continuidade.
Mas em matéria de textos, também apresentamos novidades, com destaque para o Dicionário Universal de Banda Desenhada – Pequeno Léxico Disléxico, de Leonardo De Sá, inicialmente incluído apenas no seu projecto Dédalo e que publicaremos na íntegra, começando com a letra A nesta edição. De resto, os mesmos colaboradores de sempre (Clara Botelho, João Miguel Lameiras, Pedro Cleto, Pedro Alves, Sara Figueiredo Costa e Nuno Franco) abordam temas actuais relacionados com o universo da BD, contando ainda com a participação de Luís Salvado, que escreve sobre Cinema de Animação e esperando que Osvaldo de Sousa volte em breve a estas páginas com os seus textos sobre Caricaturas e Cartoon.
Evidentemente, contamos com uma maior adesão do público nesta fase, mesmo sabendo nós que a quantidade de ofertas que invade o mercado todos os dias, dispersa os meios dos leitores e as suas atenções. Mas para os que consomem banda desenhada e a coleccionam, comprar o BDjornal, de dois em dois meses, ou assiná-lo, não pode ser apenas um acto de transacção comercial, tem de ser encarado também como um acto de apoio, de aposta de risco, de investimento no futuro da BD portuguesa, ou mesmo como um gesto de militância pura.
Machado Dias (http://kuentro.weblog.com.pt/)