Michel Regnier, cujo pseudónimo artístico mais conhecido é Greg, nasceu em Ixelles, nos arredores de Bruxelas (Bélgica), a 5 de Maio de 1931. Desde muito cedo, mais propriamente, desde a escola primária, que Greg passa a maior parte do seu tempo livre, a inventar, a contar e a escrever histórias, não se interessando pelas brincadeiras demasiado infantis, disparatadas e agressivas dos seus colegas de escola; assim, aquela ocupação, algo solitária mas saudável e estimulante, permite a Greg, por um lado, afastar-se destas más companhias e evitar os maus comportamentos, e por outro, desenvolver o gosto pela escrita.

Esta vocação e talento, revelados de forma tão precoce, acompanharão Greg pela vida fora, e constituirão o prenúncio de uma carreira extremamente produtiva e versátil na banda desenhada, carreira essa que iniciará, aos 16 anos de idade, através da série "As aventuras de Nestor e Bonifácio", publicada na revista belga "Em direcção ao futuro".

Por tudo aquilo que ficou escrito para trás, facilmente se conclui que Greg foi um dos mais prolíficos e fecundos criadores da banda desenhada franco-belga, tendo trabalhado numa grande variedade de géneros, desde o realístico ao humorístico. Na verdade, em 50(!) anos de carreira, este versátil e polivalente autor, abordou todos os géneros, na banda desenhada: humor, guerra/espionagem, aventura, "western" e ficção científica! (...)

Em jeito de tributo e de reconhecimento pela sua carreira, obra, arte e talento, Greg recebe, em 1987, o "Grande Prémio das Artes Gráficas" e, um ano mais tarde, é condecorado e feito "Cavaleiro das Artes e Letras". Já perto do final da sua carreira, Greg vende os direitos da sua famosa personagem "Achille Talon" à editora "Dargaud"; embora a personagem continue as suas histórias, Greg nunca mais a desenhará, nem voltará a escrever mais diálogos.

Entretanto, nos últimos anos da sua vida, Greg passa a desenhar cada vez menos, pois vai perdendo, progressivamente, a visão do seu olho esquerdo e, ao mesmo tempo, a sua saúde vai-se deteriorando, pouco a pouco. Em 1993, Greg publica, através do editor "Michel Lafont", o livro: "Ele pensa, logo existo", uma recolha de aforismos, onde Achille Talon está sempre presente. Em 1995, são reeditadas, através da editora "Glénat", histórias inéditas da série "Zig e Puce". No final de 1999, a editora "Dargaud" publica o livro "Diálogos sem bolhas", no qual Greg fala de si próprio, da sua carreira e obra, com destaque para os heróis nos quais trabalhou, numa conversa com Benoit Mouchart, um jovem formado em literatura e letras modernas. Greg morre, nesse mesmo ano, a 29 de Outubro.

Em jeito de balanço final, pode-se dizer que a principal e verdadeira ambição de Greg, foi sempre a de fornecer um meio de expressão gráfica que fosse portador de histórias tão sólidas e ricas em imaginação, como os melhores filmes de cinema ou os melhores romances clássicos. O percurso de Greg na banda desenhada, é, de facto, o percurso de um autor curioso e inventivo ao máximo, sempre desejoso de satisfazer a sua paixão de contar histórias. Foi, certamente, devido ao facto de não ter tido tempo de desenhar tudo aquilo que ele imaginava, que Greg multiplicou a sua colaboração com autores tão diferentes como, Claude Auclair, Michel Blanc-Dumont, Paul Cuvelier, Dany, Derib, ***, Franquin, Goscinny, Hermann, Eddy Paape, Tibet ou William Vance, só para citar alguns.

Julgo que será difícil, senão mesmo impossível, encontrar, entre os autores da banda desenhada (franco-belga e não só) do século XX, alguém que tenha escrito maior quantidade e variedade de argumentos que Greg! Quase me atreveria, inclusivamente, a interrogar se, alguma vez, voltará a aparecer um autor/argumentista com esta capacidade inventiva para escrever tanto e sobre qualquer género de histórias.

Fonte: www.comics-portugal.info; Contribuição de Alexandre Ribeiro

(Este texto foi reduzido por ser excessivamente extenso. Para acederem à sua versão integral cliquem aqui: www.comics-portugal.info)