Enquanto cartunista, já lá vão alguns anos de luta a favor de maior visibilidade desta arte. Isto quase parece um manifesto com tendencias vermelhas, mas o vermelho aqui é o das faces, ao corar quando me apercebo que tudo poderia ter sido mais simples. Anos e anos nesta tentativa de chegar algum lado, divulgando ao gosto pessoal o que penso e o que acredito ser o humor gráfico. Claro que já basta andarmos à sombra dessa arte maior que é a banda-desenhada, mas por seu intermédio, cá vamos chegando a mais gente.

E agora percebo o quanto fui idiota no caminho que escolhi para colocar o "Cartoon" nas bocas do mundo! E não só eu, mas todos os meus colegas, orientadores, divulgadores, influenciadores, mestres e professores (desculpem-me a franqueza!). É que afinal era tudo bem mais simples.

Bastava ter juntado o pessoal e feito umas caricaturas de Maomé. Depois era enviá-las para as nossas lista de contactos - há melhor distribuição? Em menos de 24 horas seríamos conhecidos no mundo inteiro, e a palavra "Cartoon" a mais pronunciada e ao mais alto nível. Haveria exposições cheias e editoras para publicar. Haveria paz e boa disposição. Haveria espaço e reconhecimento e seriamos alvo, a curto prazo, de um filme hollywoodesco.

Mas a realidade ultrapassou mais uma vez a ficção. O "cartoon" está de facto nas bocas do mundo. E ninguém se está a rir.