Em portugal observamos que existem muitos excelentes desenhadores sem destino. Começa pela própria formação, ou seja, enquanto se estuda para ser doutor ou engenheiro, vai-se desenvolvendo uma arte paralela, como o cartoon ou a caricatura. Mas este talento nunca é visto como uma "pérola a lapidar". O mais importante é ter uma profissão séria, mas o desenho nunca, ou quase nunca, é visto como possivel profissão. Quantos talentos se vão vão perdendo ao longo do caminho?

Conheço dois casos pessoalmente, que pela sua ambiguidade não deixam de ser engraçados. Um é psicólogo de formação (não sei se neste momento exerce), que conheci ao 18 anos.

 

 


Manuel D tinha uma veia artistica superior. O seu humor e seu traço eram de tal maneira bons, que lhe valeu alguns prémios nos salões de cartoon e caricatura. Acabou por deixar de desenhar pois não compensava.

Eduardo E é um exímio caricaturista, formado em Farmácia. Já ganhou alguns prémios, e é sem dúvida um dos melhores desenhadores que conheci até hoje. Gere neste momento uma farmácia, e, paralelamente, envolve-se em alguns projectos interessantes por gozo e necessidade de "deixar correr" tanto talento.

Estes dois amigos acabaram por desaparecer em realidades mais consistentes e mais promissoras. Mas, como propósito da arte (seja ela qual for), deixam órfãos uma grande minoria de apreciadores, e provavelmente nunca mais sentiremos as sensações que nos poderiam transmitir através do seu traço satírico.