segunda-feira, 23 de Outubro de 2006 7:07
by
Sergei
FIDBA 2006 - Aposta no desconhecido
Sexta feira foi inaugurado oficialmente, às 21.30 horas, abrindo sábado ao público, o 17.º Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora (FIBDA) que, após as críticas generalizadas aos espaços da Escola Intercultural e da Estação de Metro da Falagueira, tem como primeira novidade a localização, o Fórum Luís de Camões, na Brandoa, um novo espaço construído pela autarquia. Para o preencher, a organização elegeu como tema central "17 Graus Periféricos e o Resto do Mundo", optando pela divulgação de criadores, escolas e estilos pouco (ou nada) conhecidos, trazendo até ao público mais de duas centenas de autores da América Latina (incluindo originais de Quino, Alberto Breccia, "Nani" Mosquera, Maurício de Souza e Hugo Pratt), África , mundo árabe e Leste europeu. As principais atracções do festival serão, no entanto, as mostras dedicadas à "Nova manga" (ver caixa) e ao "Decálogo", uma obra em 10 volumes já editada em Português pela ASA. É uma história de encontros, desencontros, enganos e coincidências em torno dos últimos dez mandamentos supostamente ditados por Maomé que, pelo seu carácter pacifista, poderiam ter alterado profundamente a história da humanidade tal como a conhecemos - e até evitar o confronto Ocidente/Oriente hoje tão actual - e em torno de um livro amaldiçoado intitulado "Nahik", que conta a sua história, sendo notável na forma como está pensado e escrito por Frank Giroud - revelando pormenores ou intuindo conclusões diversas, conforme é lido sequencialmente ou cronologicamente.
Presença portuguesa
Os autores portugueses também não foram esquecidos pelo festival, com destaque para Filipe Abranches, distinguido com o Prémio Nacional de BD para o Melhor Desenho de Autor Português, em 2005. Ainda em português, o FIBDA apresenta uma exposição de "17 Autores Contemporâneos", outra com alguns dos desenhadores que trabalham para o mercado norte-americano, e as novas propostas editoriais, a lançar durante o evento, de Sergei, Mário Freitas e Carlos Pedro e Fernando Campos, Filipe Teixeira e Carlos Geraldes e os integrantes do projecto "BD Voyeur", uma nova revista de BD erótica.
"Os Lusíadas", nas versões desenhadas do português José Ruy e do brasileiro Lailson Cavalcanti de Holanda, Barbara Canepa e Alessandro Barbucci , David Rubim, Ángel de La Calle, Lorenzo Gómez e Sérgio Salma são outras das propostas do festival que se explana também por outros espaços da cidade da Amadora, nomeadamente a Galeria Municipal Artur Bial (que acolhe esculturas de João Limpinho), a Casa Roque Gameiro (originais de Artur Correia e António Gomes de Almeida, vencedores do Prémio Nacional de BD 2005 para Melhor lbum Português com "Os Super-Heróis da História de Portugal"), os Recreios da Amadora (Zé dos Alicates, Jan Jagodic e o 15.º Concurso de Cartoon) e o CNBDI (onde está patente a mostra "O Mosquito, uma máquina de histórias").
Horários
Fórum Luís de Camões, Amadora. Domingo a 5.ª-feira, das 10h às 20h; 6.ª-feira e sábado, das 10h às 23h. De 20 de Outubro a 5 de Novembro.
Autores presentes no fim-de-semana
Frank Giroud, Lucien Rollin, Jean-Claude Denis e Alessandro Barbucci.
A exposição dedicada ao movimento que Frédéric Boilet designou como "nouvelle manga" - "nova manga", sendo que manga é geral mente o termo usado para designar a banda desenhada japonesa - é, sem dúvida, uma das mais estimulantes do Festival deste ano. No site www.nouvellemanga.com, Boilet desenvolve um longo manifesto em que, muito resumidamente,define "a nova manga" como uma banda desenhada de autor, ancorada na realidade e no quotidiano. Na Amadora, "a nova manga" estará representada através de originais do próprio Boilet, Aurélia Aurita, Emmanuel Guibert , Étienne Davoudeau, Hideji Oda, Moyoko Anno, Nicolas de Crécy, Kazuichi Hanawa, Daisuke Igarashi, Little Fish, Taiyo Matsumoto, David Prudhomme, Joann Sfar , Kan Takahama, Jiro Taniguchi e Fabrice Neaud.
Por F. Cleto e Pina, JN.pt