É uma maioria de homens, com nível académico superior, que quer saber novidades de banda desenhada para satisfazer a sua (quase) obsessão pelos livros aos quadradinhos.

Estes são alguns dos elementos que deverão constar de um perfil sobre os frequentadores do Festival Internacional de Banda Desenhada a que a cidade da Amadora já nos habituou, baseados num estudo que foi ontem apresentado publicamente pelo ministro Augusto Santos Silva no recinto onde, até dia 5, decorre a edição de 2006.

Da autoria de Helena Santos, da Faculdade de Economia do Porto, o estudo que se debruçou sobre os frequentadores do festival do ano passado concluiu tratar-se de "um público muito qualificado, jovem e jovem adulto", que se revelou "culturalmente qualificado e fortemente empenhado em legitimar a vertente artística da banda desenhada".

A amostra constituída por 1267 indivíduos com uma média etária de 31 anos, revela que o público da banda desenhada (BD) pertence a uma maioria de elementos do sexo masculino (61%), onde se encontram muitos estudantes (31%) e demonstram uma grande fidelidade ao evento, já que mais de 70% tinha visitado edições anteriores do evento.

No Festival de BD da Amadora o público procura essencialmente novos autores (35%) e novidades editoriais (32%). São pessoas que pertencem na sua esmagadora maioria às classes médias, vivem em zonas urbanas, dois terços das quais possuem escolaridade a nível superior e apenas 8% tem menos do que o 12º ano.

A banda desenhada parece desempenhar um papel central nos seus hábitos de leitura já que 75% são seus leitores frequentes, regulares ou de vez em quando.

O tipo de banda desenhada mais apreciada é a franco-belga (28%), seguido pelos comic books americanos (16%), a BD alternativa (14%) e a BD portuguesa (10%).

Nove em cada dez inquiridos considerou que a banda desenhada é "uma arte como a literatura, a pintura ou a escultura" e mais de metade discorda que seja "uma forma de expressão para a infância e juventude". Muitos (37%) confessam mesmo uma certa dependência ou mesmo obsessão por esta chamada nona arte, utilizando expressões como "dependente", "fanático", "compulsivo" ou "maluquinho". Do que não gostaram foi do espaço onde o evento se realizou.

Quase metade dos inquiridos, 45%, disse não ter apreciado as condições físicas do festival - que este ano se mudou para instalações mais modernas.

Leonor Figueiredo - DN on-line