Brasileiro fica em 2º lugar no Concurso de caricaturas sobre o Holocausto

O ministro iraniano da Cultura, Mohammad Hossein Saffar-Harandi, entregou simbolicamente nesta quarta-feira os prémios do primeiro concurso iraniano de caricaturas sobre o Holocausto judeu, vencido por um marroquino, enquanto que o segundo lugar foi dividido pelo brasileiro Carlos Latuff e um francês.

"O Holocausto é um mito e a questão assumiu a relevância que devia ter graças à acção do presidente Mahmud Ahmadinejad, que se atreveu a expressar isso e permitiu quebra o tabu", afirmou o ministro.

O primeiro prémio do concurso, organizado em fevereiro em resposta à publicação de caricaturas do Profeta Maomé em alguns jornais europeus, ficou com o marroquino Abddullah Derkaui.

Como os demais premiados estrangeiros, Derkaui não estava presente na cerimônia de entrega, celebrada no Museu das Artes Contemporâneas. Segundo Massud Chorai, diretor da Casa da Caricatura do Irãoo que, em associação com o jornal Hamshari (O Povo), colaborou na organização do evento, os premiados não puderam comparecer "devido às pressões políticas".

O prémio principal era uma estatueta que representa um jovem palestino jogando uma pedra com uma funda.

O desenho de Derkaui, que também receberá 12.000 dólares, mostra um guindaste com uma estrela de Davi construindo um muro que separa israelenses e palestinos, onde há uma foto da entrada do campo de concentração de Auschwitz.

O segundo prémio, de 8.000 dólares, foi concedido ex-aequo a um francês (que não foi identificado) e a um brasileiro, Carlos Latuff, que representou um palestino vestido com o uniforme listrado de prisioneiro judeu de um campo de concentração nazista.

Shojai explicou que o concorrente francês não compareceu ou foi identificado porque poderia ser perseguido "pela lei (francesa) que castiga com severidade que se coloque em dúvida o Holocausto".

O cartunista Carlos Latuff, que começou no Movimento Sindical carioca, tem hoje seus trabalhos espalhados pelo mundo. Um exemplo é a ilustração feita pela reabertura da rádio sérvia B92, conhecida por fazer oposição a Milosevic e fechada durante os bombardeios da OTAN.

Latuff chegou a viajar aos territórios ocupados da Cisjordânia e tem um cartoon preparado para o Peace Watch. Criou também um cartoon pelo banimento das minas terrestres no planeta, além de trabalhar com coisas mais próximas da realidade de seu país, como o Movimento Anti-Manicomial e o grupo Tortura Nunca Mais do Rio e Pernambuco.

O terceiro prémio, de 5.000 dólares, foi para um iraniano, Sharzam Rezai, por um desenho que mostra dois soldados nazistas com uma série de figurinhas de papel com a cabeça esburacada por uma única bala.

AFP