Falar em crise a propósito do mercado da Banda Desenhada em Portugal já não é propriamente novidade. Depois do “boom” de 2002 e 2003, em que editoras como a Asa, Book Tree e Witloof, procuraram ocupar o espaço deixado vago pela crise da Meribérica, a tendência tem sido de queda constante, ano após ano. E se a Asa substituiu a Meribérica como a principal editora de Banda Desenhada franco-belga, editoras como a Witllof, Polvo e Book Tree, ou desapareceram, ou reduziram a sua actividade a um nível meramente residual.
Mas o facto mais marcante da actividade editorial no campo da BD em 2006 foi o quase desaparecimento da Banda Desenhada dos quiosques nacionais. Se a Devir acabou com as suas revistas da Marvel e a Edimpresa, que edita a Disney em Portugal, cancelou quase todas as suas revistas (com excepção da série “Witch”), a presença da Banda Desenhada nos quiosques resume-se agora quase só às importações da Mythos que, com o fim das séries “Dylan Dog”, “Martin Mystére” e “Dampyr” e a recusa da distribuidora em distribuir a série “Júlia”, se limita praticamente aos títulos protagonizados pelo cowboy “Tex”...
A explicação para esta situação é relativamente simples. Repletos de DVDs e outras promoções com preço de capa mais elevado e maior margem de lucro, os quiosques têm cada vez menos espaço para a BD, o que se reflecte negativamente nas vendas.
Obrigadas a imprimir grandes tiragens para conseguirem uma distribuição com um mínimo de visibilidade a nível nacional, as editoras vêm essas quebras das vendas tornar quase impossível rentabilizar os títulos que produzem. Claro que ainda há excepções, como a série “Lucky Luke” lançada com o jornal “Público” que foi um sucesso de vendas. Mas para esse sucesso muito contribuiu a forma como o jornal publicitou a colecção, ajudando à sua descoberta pelos potenciais interessados.Mas fora dos quiosques há sinais que permitem algum optimismo, desde a continuação de um projecto como o “BD Jornal”, ou o sucesso de apostas na divulgação dos clássicos em edições cuidadas, como é o caso do “Príncipe Valente” de Harold Foster nos Livros de Papel, ou dos “Peanuts” de Charles Schulz na Afrontamento, ou aposta da Gradiva em outros tipos de BD para além das tiras cómicas, com o lançamento da série “Largo Winch” e de alguns trabalhos menores do grande Will Eisner.
E se a Devir acordou da sua recente letargia a tempo de lançar um punhado de novidades durante o último Festival da Amadora, com destaque para dois títulos assinados por Neil Gaiman (“Sandman” e “Orquídea Negra”) e para o novo projecto de José Carlos Fernandes, a série “Black Box Stories”, a Asa e a Vitamina BD prosseguiram com o seu ritmo de publicação habitual.
E a Editora de Pedro Silva viu mesmo nascer uma irmã gémea na nova BdMania Editora, que se estreou com dois títulos da Marvel e promete para 2007 a divertida série “Groo” de Sérgio Aragonês, entre outras coisas.
Mas a BDMania não é a única Livraria a dar origem a uma nova editora, pois também a Kingpin of Comics lançou dois títulos de autores portugueses, numa modesta tiragem de 200 exemplares, os mesmos que a Rui Brito Edições, que prossegue o trabalho das Edições Polvo, imprimiu das suas novidades. O novo sistema “print on demand” que possibilita tiragens tão reduzidas a preços competitivos, parece ser a solução ideal para as pequenas editoras como estas, ou para a El Pep, cujo mais recente título, “Fato de Macaco”, teve uma tiragem de apenas 100 exemplares, destinados só a livrarias especializadas e à FNAC.
Mas mesmo com a diminuição generalizada das tiragens, ainda há espaço para best sellers, como a adaptação de Paul Karasik e David Mazzucchelli da “Cidade de Vidro”, de Paul Auster, ou “Salazar” de João Paulo Cotrim e Miguel Rocha (que escolhi para ilustrar este artigo), ambos já em 2ª edição. Para além da qualidade intrínseca destes dois títulos, ao seu sucesso comercial não deve ter sido alheio o facto de terem conseguido captar um público mais vasto do que os tradicionais leitores de BD. E eu não tenho grandes dúvidas que a saída da crise actual passa pela conquista de novos públicos nas livrarias.
João Miguel Lameiras - www.asbeiras.pt
Tenho seguido de perto as notícias sobre este grande acontecimento que é o Amadora BD. Não só por ser amante incondicional desta arte, como também autor presente no festival, e com um livro à venda.
Da pouca divulgação que os médias dedicaram ao festival, saliente-se a resumida forma em que o fizeram, destacando apenas alguns autores estrangeiros, e um ou dois portugueses, apenas os galardoados.
As opiniões negativas também abundam, ora de críticos de BD (será que existem mesmo?) ora de "experts" sobre o tema. Uns queixam-se das editoras, outros da organização.
Ora, num país em que o mercado de BD é quase inexistente, em que as grandes editoras vivem de costas voltadas aos autores, e onde os "média", críticos, "experts" ignoram de forma gritante o publico leitor, isto só demonstra total falta de responsabilidade!
Alguém faz ideia do trabalho, do esforço, das verbas envolventes para pôr de pé um festval como este? Um dos 5 maiores a nível europeu? Os apoios escasseiam, mas o festival continua de pé em riste. E para quem se destina o festival? Ao vasto público, aos que gostam, aos fanáticos, aos que compram, aos curiosos, aos interessados, aos autores, a todos nós, a todos. Este não é um festival para agradar aos críticos. Não é um festival para agradar aos jornalistas. Não é para agradar as editoras. É para divulgar a BD como ela é, possibilitando a oferta a preços de feira, levando a BD ao público em geral, criando novos apreciadores, novos leitores.
Mesmo com a imagem negativa que alguns quiseram passar, eu sempre vi a exposição cheia de público. E mesmo sendo uma autor de Banda-desenhada completamente ignorado pelos média, felizmente estive sempre a dar autógrafos, e conheci muita gente que admira o meu trabalho. E não só eu, mas como outros autores portugueses que estiveram presentes, sempre os vi a serem solicitados pelo publico, a trocar ideias com pessoas que compram os livros. E não é isto o realmente importante?
O mercado português está mau. Mas com ajudas destas ainda vai ficar pior. E o publico que compra BD, mas que não é fanático, que compra BD por gosto pessoal e não porque é "expert", esse continua na escuridão, ignorando na realidade o que se vai fazendo por cá. Triste não é?
A tendencia de alguns portugueses de dizer mal do que é nosso é uma doença, quase incurável. E o pior é que é bastante contagiosa!
Cartoon de Malagón, no humorgrafe.blogspot.com/
A situação da criação e edição da Banda Desenhada em Portugal foi o debate levado a cabo no auditório Maestro Frederico de Freitas, na Sociedade Portuguesa de Autores. Esta iniciativa, da responsabilidade da revista "Os meus livros", contou com a participação de António Jorge Gonçalves (autor), Maria José Pereira (editora Asa), Pedro Silva (editor VitaminaBD) e Sara Figueiredo Costa (crítica).
O diagnóstico a esta arte é semelhante ao que outros agentes traçam para outras áreas artísticas: ausência de público, falta de dinamização do sector, falta de informação e divulgação nos meios de comunicação, falta de comunicação entre agentes. Consequência mais do que evidente: poucos meios de sobrevivência. Esta é uma situação crónica em Portugal, e nunca foi por isso que qualquer expressão artística morreu. Contudo, algumas informações dão que pensar.
Rosa Barreto, directora da Bedeteca de Lisboa, considera muito prejudicial para a divulgação da Banda Desenhada que estes livros integrem o catálogo infanto-juvenil das Bibliotecas Municipais, e não ocupem uma secção própria. De facto, este é um dos principais preconceitos associados à 9ª arte. Outro é o de que ler Banda Desenhada é um estádio anterior ao da leitura de textos literários, porque supostamente é mais fácil. Outro ainda, e de todos o mais grave, que a Banda Desenhada é prejudicial no desenvolvimento de competências de leitura das crianças e jovens.Esta questão está intimamente ligada a outra: a formação de leitores de Banda Desenhada tem de começar na infância, ou não teremos novos leitores.
Não confundamos as coisas. Formar leitores não é formar categorias de leitores. Formar leitores é dotá-los de competências de leitura como sejam:encontrar informação num texto; perceber lógicas de causa-efeito;identificar nexos de temporalidade e causalidade;caracterizar personagens;identificar marcas retóricas (símbolos, imagens, enumerações, comparações, metáforas);produzir juízos afectivos e argumentativos;sintetizar informação;relacionar informação;distinguir sentidos denotativos e sentidos conotativos;etc, etc, etc...
Estes objectivos específicos do ensino da competência da leitura são transversais ao género de texto que se lê, e por isso este treino deve ser feito com recurso a tipologias distintas.Que se deve incentivar a leitura de Banda Desenhada desde tenra idade, parece-me evidente. Do mesmo modo que se deve incentivar a leitura de poesia, teatro, narrativa, notícia, slogan, instrução. Que a arte literária (na sua diversidade) desenvolve o imaginário, a sensibilidade, a criatividade, o conhecimento, mais que um texto informativo, nem sempre é verdade. Não sejamos fundamentalistas, sejamos auto-críticos. Procuremos distinguir qualitativamente a leitura, e sejamos rigorosos na sua promoção. Será melhor ler um mau livro de BD a não ler nenhum? Não há resposta para esta pergunta. Por um lado, ler um mau livro não permite ao leitor ter contacto, por exemplo, com noções inovadoras de perspectiva, ou de disposição gráfica, ou de questionamento da causalidade, ou de ironia. Mas, por outro lado, ler um mau livro pode levar à leitura de outro, talvez melhor, ou igual, e à procura de outros, elevando o nível de exigência do leitor e de qualidade do livro.Ao nível da promoção devemos ser exigentes connosco próprios, tanto quanto generosos na partilha do que de mais precioso sabemos. Relativamente ao leitor, devemos respeitar as suas escolhas. É claro que é possível a um adulto descobrir a Banda Desenhada, como é possível descobrir a literatura clássica, o teatro ou a poesia. Mas é também muito provável que o adulto só a descubra se tiver solidificadas as suas competências, ou seja, se for leitor, como afirmou a Sara, no debate.
Promover Banda Desenhada implica divulgá-la junto das crianças e jovens, de forma a que estes sejam leitores do género ao longo da sua vida, e do mesmo modo divulgá-la junto de adultos leitores. Como se faz? Com esforço, criatividade, e acima de tudo com muito entusiasmo e muita honestidade intelectual.
obichodoslivros.blogspot.com/
É uma maioria de homens, com nível académico superior, que quer saber novidades de banda desenhada para satisfazer a sua (quase) obsessão pelos livros aos quadradinhos.
Estes são alguns dos elementos que deverão constar de um perfil sobre os frequentadores do Festival Internacional de Banda Desenhada a que a cidade da Amadora já nos habituou, baseados num estudo que foi ontem apresentado publicamente pelo ministro Augusto Santos Silva no recinto onde, até dia 5, decorre a edição de 2006.
Da autoria de Helena Santos, da Faculdade de Economia do Porto, o estudo que se debruçou sobre os frequentadores do festival do ano passado concluiu tratar-se de "um público muito qualificado, jovem e jovem adulto", que se revelou "culturalmente qualificado e fortemente empenhado em legitimar a vertente artística da banda desenhada".
A amostra constituída por 1267 indivíduos com uma média etária de 31 anos, revela que o público da banda desenhada (BD) pertence a uma maioria de elementos do sexo masculino (61%), onde se encontram muitos estudantes (31%) e demonstram uma grande fidelidade ao evento, já que mais de 70% tinha visitado edições anteriores do evento.
No Festival de BD da Amadora o público procura essencialmente novos autores (35%) e novidades editoriais (32%). São pessoas que pertencem na sua esmagadora maioria às classes médias, vivem em zonas urbanas, dois terços das quais possuem escolaridade a nível superior e apenas 8% tem menos do que o 12º ano.
A banda desenhada parece desempenhar um papel central nos seus hábitos de leitura já que 75% são seus leitores frequentes, regulares ou de vez em quando.
O tipo de banda desenhada mais apreciada é a franco-belga (28%), seguido pelos comic books americanos (16%), a BD alternativa (14%) e a BD portuguesa (10%).
Nove em cada dez inquiridos considerou que a banda desenhada é "uma arte como a literatura, a pintura ou a escultura" e mais de metade discorda que seja "uma forma de expressão para a infância e juventude". Muitos (37%) confessam mesmo uma certa dependência ou mesmo obsessão por esta chamada nona arte, utilizando expressões como "dependente", "fanático", "compulsivo" ou "maluquinho". Do que não gostaram foi do espaço onde o evento se realizou.
Quase metade dos inquiridos, 45%, disse não ter apreciado as condições físicas do festival - que este ano se mudou para instalações mais modernas.
Leonor Figueiredo - DN on-line
«Salazar, agora na hora da sua morte» é novela gráfica da vida do ditador O romance em banda desenhada «Salazar, agora na hora da sua morte» é «uma leitura livre sobre uma figura histórica, absurda e obsessiva», afirmou este sábado João Paulo Cotrim, autor do argumento, à agência Lusa. O livro, premiado pelo Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora, tem texto do jornalista João Paulo Cotrim e desenho de Miguel Rocha.
A obra, cuja ideia partiu da editora Parceria AM Pereira, é uma novela gráfica que aborda a vida de Salazar, desde a infância até à queda no poder.
«É um olhar que respeita a personagem, um ditador algo absurdo que é o resultado de um determinado momento histórico», explicou João Paulo Cotrim.
Ao nível gráfico, o livro foi totalmente desenhado no computador, com infografias, colagens e montagens, recorrendo a fotografias e recortes de jornais, numa técnica que Miguel Rocha utiliza pouco na sua obra artística.
A imagem que atravessa todo o livro é feita ainda de traços esfumados, desfocados, em tons monocromáticos e sombrios, com preto, branco e ocre, e com uma unidade gráfica «que ajuda a definir a imagem de Salazar», explicou Miguel Rocha à agência Lusa.
Na obra também são utilizados diversos tipos de letras, para diferenciar os diversos discursos presentes na história.
Com este álbum, de mais de 200 páginas, os autores pretenderam «humanizar a figura de Salazar, para o tirar da categoria dos mitos, porque foi uma figura histórica num tempo histórico», sublinhou João Paulo Cotrim.
«É altura de o matar de vez e de o colocar no seu lugar histórico, porque a sensação que dá é que ainda não estamos reconciliados com o passado», opinou o autor.
João Paulo Cotrim e Miguel Rocha estarão no domingo no Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora numa sessão de autógrafos, mas o lançamento oficial da obra está marcado para segunda- feira.
A apresentação, a cargo de Guilherme de Oliveira Martins, decorrerá no Ministério das Finanças, «um dos locais onde o fantasma de Salazar ainda deve passar alguns tempos», como ironizou Cotrim.
João Paulo Cotrim, de 41 anos, jornalista, dirigiu a Bedeteca entre 1996 e 2002, assim como o Salão Lisboa de Ilustração e Banda Desenhada.
Editou vários livros, entre os quais o ensaio «Stuart - A Rua e o Riso», «Fotobiografia de Rafael Bordalo Pinheiro», «À Esquina», com desenhos de Pedro Burgos, e «História de um segredo», com André Letria.
Miguel Rocha, 38 anos, autor de banda desenhada, assinou títulos como «Beterraba - a vida numa colher», «As pombinhas do sr. Leitão», «Março» e «Eduarda».
Fonte: Portugal Diario
A eficiência histórica que uma caricatura ou uma charge possam alcançar tem relação direta com o senso de independência de seu autor. O desenhista que apenas se curva aos clamores e rumores do seu tempo não adquire relevância. Os que se chocam contra sua época e suas unanimidades geralmente vivem para contar outras histórias. Essa força é possível de ser observada em toda a linha do tempo da ação dos caricaturistas no Brasil, do pioneiro Araújo Porto-Alegre (1806-1879) a iconoclastas como Chico e Paulo Caruso, Angeli, Glauco, Loredano.
No livro 'Piracicaba, 30 Anos de Humor' (Imprensa Oficial), que ilustra boa parte da evolução dos mestres de nossa época, há um cartum que demonstra bem a tese: Chico Caruso, de São Paulo, em plena ditadura militar, levou o primeiro prêmio com um cartum no qual dois agentes da repressão prendem um palhaço no momento de seu show, no picadeiro, deixando a platéia circunspecta, atônita.
Segundo escreveu Luis Fernando Veríssimo, o Salão de Piracicaba, que foi lançado em pleno regime militar, sempre juntou gente como Millôr, Jaguar, Ziraldo, Henfil, Zélio. 'Barricada? Resistência? Válvula de escape? Travessura heróica? O fato é que desde os primeiros salões lá estavam eles, em Piracicaba', disse. 'Todos levados pelo instinto, e pela necessidade, da outra coisa. A ditadura acabou, o salão cresceu e a outra coisa hoje é outra coisa.'
De fato, aquela geração era tão talentosa que sobreviveu até a morte do inimigo, eternizando seu trabalho tanto na doença do regime de exceção quanto na saúde democrática. Não é por acaso que um dos mais maltratados modelos dos caricaturistas no governo militar, o economista e deputado Delfim Netto, tenha também se tornado um voraz colecionador das próprias caricaturas, que ilustram seu escritório no Pacaembu.
'A caricatura, ao contrário do que parece, é a arte de revelar não só a cara, mas o caráter das pessoas; não o que está evidente, mas o detalhe que, de tanto ver, não se percebia', disse o escritor e jornalista Zuenir Ventura. 'Quando uma charge é particularmente inspirada, tem um peso extraordinário, fala mais do que mil palavras', diz o livreiro e colecionador Pedro Corrêa do Lago, que lançou, em 2001, primoroso catálogo com parte de sua coleção de desenhos, 'Caricaturistas Brasileiros' (Sextante Arte).
O alcance artístico de uma caricatura ou uma charge só é definido com um distanciamento histórico, mas é fácil perceber quando um autor enxerga muito além do seu tempo. O artista José Carlos de Brito e Cunha, o J. Carlos (1884-1950), por exemplo: a excelência de sua arte sempre foi tão evidente que José Lins do Rego, certa vez, escreveu que seu desenho estava para a caricatura brasileira assim como Villa-Lobos para a música e Machado de Assis para a literatura.
Do topete de Itamar Franco à barba cerrada de Lula, dos dentes de Fernando Henrique à cara de raposa de Armínio Fraga: de tudo isso, sobra a arte, muito maior do que duas eleições ou pacotes econômicos.
Jotabê Medeiros - São Paulowww.oliberal.com.br