Os compadres, ao contrário do que pode dar a entender, não representam apenas o povo alentejano. Não são nem pretendem ser uma transcrição da anedota sobre os alentejanos para uma formato banda-desenhada. O conceito é muito mais amplo, o conteúdo mais virado para todos os portugueses em geral.

Comecei a desenhar as tiras dos compadres em 1994 como um escape natural para criar algo a que podesse dar continuidade, conseguir criar uma personagem ou personagens que fossem quase o meu alter-ego. Este pequeno mundo que aos poucos se desenvolveu representa sim, toda uma mentalidade na perspectiva do simples trabalhador, daquele que para além da realidade social e política tem que saber viver com o que tem, rir consigo próprio das dificuldades e de tudo que a nossa sociedade nos impõem.

Podemos afirmar que se parecem com alentejanos porque estes são famosos pela sua falta de vontade de trabalhar, pela sua preguiça e calma natural. Mas no fundo, não somos todos nós assim? Não temos todos nós a vontade de muitas vezes não ir trabalhar, fazer as coisas com calma, estar com os amigos ou dizer disparates? Que eu saiba não temos nós todos um pouco destas qualidades? Ou defeitos?

No meu percurso de vida vivi em várias cidades, cresci em várias realidades. Apenas peguei na minha maneira de ver o mundo e passei-as para o papel, para um mundo simples mas real. Não sei se são intemporais, se são comerciáveis. apenas sei que têm alma, tem conteúdo, porque são parte de mim.

Espero que gostem, assim como eu gosto de os fazer. Divirtam-se!
 

 

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