Em 1933, a King Features Syndicate abriu um concurso para descobrir personagens de quadrinhos que rivalizassem com Buck Rogers e Tarzan de sua concorrente, a Pulitzer Syndicate. Alex Raymond se inscreveu e ganhou, passando a desenhar Flash Gordon e Jim das Selvas (que completava a página) para o New York American Journal, a partir de um domingo, 7 de Janeiro de 1934. Poucas semanas depois, Raymond passaria também a desenhar o Agente Secreto X-9, outra encomenda da King Features para contrabalançar o sucesso de *** Tracy, da Pulitzer.
No Brasil, o primeiro capítulo (ou "prancha") de Flash Gordon no Planeta Mongo foi publicado no nº 3 do Suplemento Infantil do jornal A Nação, do Rio de Janeiro, em 28 de Março de 1934 (a partir do nº 15, o Suplemento passou a circular de forma independente com o título de Suplemento Juvenil). Depois de mais de 80 capítulos publicados em página dupla no Suplemento, em 1937 decidiu-se pela publicação de um álbum de luxo, contendo as primeiras 60 pranchas, do qual foram impressas três tiragens de 5000 exemplares, vendidos com absoluto êxito. Em 1987, a EBAL de Adolfo Aizen (fundador do Suplemento Juvenil) publicou uma edição comemorativa dos 50 anos do lançamento do álbum original.
Para saberem mais, cliquem aqui.Ler também: Série de TV Flash Gordon
Um papagaio que fuma charuto, veste colarinho e usa bengala faz as malas rumo a Hollywood. A legenda informa: "Walt Disney levou o papagaio." O macaco, um dos bichos que observam a cena, comenta: "Esse papagaio vai ser um sucesso de bilheteria; fotogênico, orador e, sobretudo: impróprio para menores..." O desenho de J. Carlos, considerado por muitos o maior cartunista brasileiro, foi capa da revista Careta em outubro de 1941, pouco depois de Disney ter feito um tour pela América do Sul.
No ano seguinte, Zé Carioca, o papagaio malandro da Vila Xurupita, surgiria no cinema em "Alô Amigos", ciceroneando o Pato Donald no carnaval do Rio. Em 1944, voltaria às telas, mais uma vez ao lado de Donald, em "Você já Foi à Bahia?" Nos filmes, coincidentemente, o louro fuma charuto, veste colarinho e se apóia em um guarda-chuva. Claro, também usa chapéu de palhinha e gravata borboleta, além de paletó. O contato entre J. Carlos e Disney está documentado e é praticamente consenso entre pesquisadores que, de alguma forma, Zé Carioca foi inspirado pelo artista brasileiro, cujo primeiro nome também é José.
A Seleções Reader’s Digest, revista americana publicada em todo o mundo, não teve dúvidas. Em edição de 1969, creditou a origem de Zé Carioca a J. Carlos. "Em 'Alô Amigos', Disney criou um novo personagem - o Zé Carioca, um papagaio inspirado num desenho do inesquecível caricaturista brasileiro J. Carlos, que Disney tentou levar para Hollywood para trabalhar em seus estúdios. O Zé Carioca de J. Carlos até hoje pode ser visto na Disneylândia."
Walt Disney desembarcou no Brasil com status de celebridade ao mesmo tempo em que a 2ª Guerra Mundial devastava a Europa. Veio acompanhado por uma equipe de desenhistas, músicos e escritores. No Copacabana Palace, onde se hospedaram, um estúdio foi montado. Disney, porém, não estava no Brasil apenas como homem de cinema.
A exemplo de outras personalidades, foi agente da política da boa vizinhança, o modo que o governo dos Estados Unidos encontrou para reforçar sua hegemonia no continente, estreitando laços afetivos por meio da indústria cinematográfica, em um período altamente conturbado. O arquiteto da viagem foi Nelson Rockefeller, coordenador de Assuntos Interamericanos no governo Franklin Delano Roosevelt, que financiou os filmes da Disney.
Em entrevistas a jornais da época, Disney anunciou que um dos objetivos da viagem à América do Sul era colher material para personagens e enredos. "Uma das minhas preocupações presentes é fazer coleta de material folclórico, de histórias populares, de canções e de temas musicais característicos, quer do Brasil, quer de outros países do continente, para em torno deles bordar alguns dos meus filmes", declarou Disney, segundo reportagem de A Noite Ilustrada.
Muitos artistas locais o assediaram em busca de uma oportunidade na meca do cinema. Mas Disney também fez a corte. Durante exposição organizada pelo Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) do governo Getúlio Vargas, na Associação Brasileira de Imprensa, a equipe americana se impressionou com os desenhos de J. Carlos que tinham como tema o papagaio brasileiro. O episódio é relatado pelo cartunista Nássara, que participou da montagem da exposição, e foi incluído no artigo "J Carlos, O Cronista do Traço", de Isabel Lustosa, pesquisadora da Fundação Casa de Ruy Barbosa. O texto foi publicado nos Estados Unidos, na França e, no Brasil, no livro História e Linguagens.
"O trabalho de J. Carlos foi o que mereceu maior atenção de Disney. Conta o caricaturista Antônio Gabriel Nássara, um dos organizadores da mostra, que ‘no dia da exposição, dois fotógrafos da equipe do Disney começaram a fotografar aqueles painéis com caricaturas. Mas nos painéis de J. Carlos, eu pude observar que eles demoraram mais, principalmente nas folhas onde estavam desenhados os papagaios’."
Em seguida, Disney fez pessoalmente um convite para J. Carlos trabalhar em seus estúdios. A oportunidade veio em um almoço no Itamaraty, oferecido pelo chanceler Oswaldo Aranha. "(Disney) fez questão de sentar-se ao lado de J. Carlos. Naquela ocasião, ele convidou J. Carlos a integrar-se à sua equipe nos EUA.
J. Carlos não aceitou", relata Isabel Lustosa. Também consta de seu artigo a informação de que, mais tarde, um desenho de J. Carlos teria chegado às mãos de Disney: "O desenho de um papagaio vestido com o uniforme da Força Expedicionária Brasileira, abraçado ao Pato Donald vestido de marine". Mas, ressalva a pesquisadora, "isso nunca foi provado".
Um esboço desse desenho está em poder dos herdeiros de J Carlos. Na casa de um de seus filhos, Eduardo Augusto de Brito e Cunha, é possível ver uma reprodução. Cauteloso, ele não afirma de modo definitivo que o Zé Carioca é obra de J. Carlos. "Existe a hipótese de que o Zé Carioca tenha sido uma cópia do J Carlos. Eu não posso garantir", disse. "O Disney deve ter copiado o desenho, mas é uma coisa que ninguém pode dar certeza "
Em busca da prova concreta do "Zé Carioca de J. Carlos", a pesquisadora Tetê Amarante voou até a sede da Disney, em Burbank, na Califórnia, em 2002. Mas o desenho que teria sido modelo para o personagem não foi localizado por Tetê, neta do escritor Herman Lima, autor do primeiro livro sobre J. Carlos e da famosa "História da Caricatura no Brasil", editada em 1950. "O desenho do J. Carlos é muito próximo do Zé Carioca definitivo Mas não temos prova concreta para dizer que ele deu o desenho para o Walt Disney", disse.
Apesar de todas as evidências que apontam para J. Carlos cuja família jamais reivindicou algo da Disney, há outras pessoas dispostas a isso. Marcos Sampaio Guimarães alega que foi seu avô, Félix Sampaio, o autor do personagem. Para provar o que diz, Guimarães reuniu material durante anos e elaborou um dossiê em inglês, de 124 páginas: "The Parrot Brief". Guimarães acredita que, mais de 60 anos depois do surgimento do papagaio, pode obter uma vitória sobre a Disney na Justiça americana.(ae)
Fonte: www.cruzeironet.com.br
Nota do autor: Não podia deixar de vos passar este artigo que o Marcelo Naranjo, com a colaboração de Sidney Gusman, escreveram sobre os comilões na banda-desenhada no site Universo HQ. Que luxo, este "estudo" em forma de apanhado sobre o tema.
"Em mais de um século, as HQs (banda-desenhadas) eternizaram na memória dos leitores diversos comilões e também cozinheiros (quase) de mão cheia. As barrigas salientes atestam: nada como os prazeres da culinária e de uma boa mesa. Pois não poderia ser diferente no mundo dos quadrinhos. Prepare seu guardanapo, afie os talheres e mergulhe numa jornada gastronômica com os nossos personagens favoritos, em meio a pratos maravilhosos e receitas diversas (...)"
Para lerem com apetite, aqui:http://www.universohq.com/quadrinhos/2006/comiloes.cfm
Quem se recorda dos desenhos animados "Mister Magoo?" Um simpático velhinho que era míope e por isso metia-se nas maiores confusões possiveis por onde passava.
"Mister Magoo" foi criado pela United Productions of America. A personagem principal, Mister Quincy Magoo, era um velhinho baixo, careca e com uma grave deficiência visual que se envolvia nas mais cómicas e perigosas situações devido à sua pouca visão. A primeira exibição deste desenho foi em 1949, com o episódio The Ragtime Bear. Na época de 70 surge uma nova personagem na série, o cão McBarker que também era míope e falava ...
Mister Magoo recebeu dois óscares de animação, com o "When Magoo Flew" de 1953 e "Mr. Magoo's Puddle Jumper" em 1955. E a sua fama e sucesso foram tal, que chegou mesmo ao cinema, numa adaptação interpretada por Leslie Nielsen, em 1997.
No dia 2 de outubro é lançado, no Brasil, o DVD "The Mr. Magoo Show", com a série do clássico personagem e episódios inéditos divididos em 4 discos, com mais de 650 minutos de animação. A versão brasileira foi realizada nos estúdios da Uniarthe em São Paulo com a direção de Francisco de Freitas.
Maus ("rato", em alemão) é a história de Vladek Spiegelman, judeu-polonês que sobreviveu ao campo de concentração de Auschwitz, narrada por ele próprio ao filho Art.
O livro é considerado um clássico contemporâneo das histórias em quadrinhos. Foi publicado em duas partes, a primeira em 1986 e a segunda em 1991. No ano seguinte, Maus ganhou o prestigioso Prêmio Pulitzer de literatura. A obra é um sucesso estrondoso de público e de crítica. Desde que foi lançada, tem sido objeto de estudos e análises de especialistas de diversas áreas-história, literatura, artes e psicologia.
Em nova tradução, o livro é agora relançado com as duas partes reunidas num só volume. Nas tiras, os judeus são desenhados como ratos e os nazistas ganham feições de gatos; poloneses não-judeus são porcos e americanos, cachorros. Esse recurso, aliado à ausência de cor dos quadrinhos, reflete o espírito do livro: trata-se de um relato incisivo e perturbador, que evidencia a brutalidade da catástrofe do Holocausto. Spiegelman, porém, evita o sentimentalismo e interrompe algumas vezes a narrativa para dar espaço a dúvidas e inquietações. É implacável com o protagonista, seu próprio pai, retratado como valoroso e destemido, mas também como sovina, racista e mesquinho.
De vários pontos de vista, uma obra sem equivalente no universo dos quadrinhos e um relato histórico de valor inestimável.
Hugo Pratt reune o concenso como um dos maiores argumentistas e desenhadores do século XX. Com uma vastissíma obra, onde se destaca o herói Corto Maltese, Pratt diz-nos acerca da sua criação: "Com Corto Maltese, se escolhi o mar como ambiente do personagem foi talvez apenas porque era mais fácil de desenhar (risos). Mas um marinheiro tem uma dimensão mais romântica do que um “cowboy”, porque ele vai para lá da linha do horizonte, à procura do que lá se encontra. Na pradaria, há as estrelas e a erva. Mas o mar tem qualquer coisa de diferente e foi assim que surgiu Corto Maltese.
Para os fans aconselho uma visita ao especial que o Jornal Público dedica ao autor e sua obra. Eis o endereço: www.publico.clix.pt/sites/cortomaltese/noticias.html
Tintim é o mais célebre herói de banda desenhada e nasceu a 10 de Janeiro de 1930 na revista Petit Vingtiéme, a preto e branco, onde se manteve até 1940, data em que se mudou para outro jornal, o Le Soir, até 1944.
A partir de 1942 todos os livros do Tintim passaram a ser publicados a cores e a maioria das antigas histórias a preto e branco, foram coloridas e reduzidas para se adaptarem ao novo formato.
Em 1946 Tintim já aparece na sua própria revista, e a partir daí todas as histórias recebem tratamento colorido.
Seja o gosto pela aventura, o espiríto distraído do Prof. Girassol ou o bom coração do fiel capitão Haddock, As Aventuras de Tintim despertam algo em todos os leitores dos 7 aos 77... mais de vinte anos após a morte do seu criador, Hergé, as aventuras do pequeno repórter de poupa levantada continuam a cativar e fascinar milhões de leitores pelo mundo inteiro.
Traduzido em 50 línguas e com mais de 200 milhões (milhões!) de exemplares vendidos, As Aventuras de Tintim estão hoje reconhecidas como revolucionárias no desenvolvimento da banda desenhada. A documentação profunda, o perfecionismo, o impulso aventureiro do jovem herói e a clareza dos desenhos são características principais do trabalho de Hergé.
Fonte: www.editorialverbo.pt
(Este texto foi reduzido por ser excessivamente extenso. Para acederem à sua versão integral cliquem aqui: www.comics-portugal.info)