Bilau, o cachorro matador de onças
No Brasil, no povoado de Peri-Mirim, tinha um caçador de onças que era considerado o melhor caçador do Brasil, mais conhecido como Zeca, matador de onças. Todo fim de semana ele entrava na mata e voltava com uma ou duas onças mortas no braço; o patife nunca errava um tiro.
Num certo dia chega na cidadizinha um americano, o mesmo dizia que nos Estados Unidos havia um caçador de onças que era o melhor dos mundo, porque além de matar a onça, ele não deixava nenhum buraco de bala para não estragar a pele.
Então Zeca ficou entusiasmado com aquilo e resolveu gastar suas economias para ir conhecer o matador.
Chegando nos Estados Unidos, pegou o endereço do vilarejo; era dentro dos matos. Avistando um senhor perto de uma casa, perguntou:
— O senhor sabe quem é o melhor caçador de onças da redondeza?
Com um charuto na boca e um cachorrinho magrinho chamado Bilau, conhecido no vilarejo por ser muito tarado, responde:
— Sei sim. Sou eu, por quê?
— Porque estou vindo de longe só para aprender como se mata onça da forma que o senhor mata, sem deixar buracos de bala.
Depois de muito insistir, ele concordou e o chamou para se hospedar no seu casebre.
No dia seguinte de manhã, o caçador acorda e com um tapa chama Zeca:
— Acorda, Zeca, pegue aquela arma e a vara e vamos caçar.
Ele pegou a arma e a vara sem saber para quê, e foi à tão esperada caça; o curioso é que todo tempo o cachorro magrinho — Bilau — atrás deles.
Caminhando todos atentos, avistaram uma onça, e o caçador falou:
— Pega, Bilau.
Bilau, com toda sua fúria, saiu correndo atrás da onça, e a onça, desesperada, subiu em uma árvore; o matador com a vara cutucou a onça, e Bilau só esperando lá embaixo; quando ela caiu, Bilau, CRAW nela, e ela mortinha no chão.
Depois dessa, foram atrás da tão esperada onça pintada. Quando Bilau avistou-a, correu, e a onça subiu numa árvore bem alta; o matador pegou a vara, e a vara não chegava ao topo, e Bilau, doido de tarado, esperando a onça. O caçador chamou Zequinha e falou:
— Zeca, me dê a vara e fique com a arma bem atento aí embaixo, que eu vou subir naquele galho para cutucá-la; agora, até pelo amor de Deus, caso o galho quebre, tu mata o Bilau.
Quando o galho quebrou e Zeca se espantou, este foi o único tiro que Zeca errou em toda a sua vida.
