Justiça
Quando aconteceu o Dilúvio, Noé construiu um barco e nele colocou todos os exemplares da fauna.
Após dois dias, o macaco falou para Noé:
— Senhor, se continuar a sacagem do jeito que está, e o Dilúvio demorar muito, daqui uns dias a população vai aumentar e o barco vai afundar!
Noé responde:
— O que você sugere?
O macaco:
— Mande todos os animais entregarem o sexo e, quando acabar o Dilúvio, nós devolvemos.
Noé então chamou todos os animais e informou:
— Para que possamos sobreviver ao Dilúvio, todos terão que entregar o sexo.
Foi aquela confusão, com a maioria querendo saber como receberiam o sexo de volta.
Noé informou que eles receberiam um recibo, e que após o Dilúvio eles receberiam o sexo contra a entrega do mesmo.
Quando a pombinha voltou com o galho no bico, todos festejaram, pois o Dilúvio havia acabado e eles teriam os seus sexos de volta.
Após longa espera na fila, chegou a vez da galinha, que, ao entregar o recibo ao macaco, o mesmo a informou que já havia entregado o seu sexo, pois o mesmo não se encontrava na prateleira.
A galinha reagiu, dizendo que não tinha pego nada e que ainda estava sem o seu sexo.
O macaco então sugeriu, por ter ainda muito animal para atender, que a galinha aguardasse; atenderia a todos e resolveria o problema dela.
Quando o último animal foi atendido, não restou nenhum sexo na prateleira, e a galinha, indignada, esperneou, gritou que era uma sacagem com ela, que era falta de consideração e outras coisitas mais.
O macaco falou que não podia fazer nada, que ela compreendesse a situação dele e coisa e tal.
A galinha, muito furiosa, informou então:
— A é é! Isso não vai ficar assim não! Vou entrar na Justiça!
Entrou.
E está até hoje tomando no cú.
