Matuto
Todo mundo que casa no interior constrói um primeiro andar com comércio embaixo. Assim fez Jorge, abrindo sua farmácia. Passou o dia e não vendeu nada. À noite, deitado ao lado da esposa, ouve batidas na porta embaixo. A mulher diz:
— Vai atender.
No que ele diz:
— Vou não, tá frio e chovendo muito.
E a mulher insiste:
— Vai, pode ser criança passando mal ou idoso.
Aquilo o convenceu. Vestiu a camisa, desceu, afastou os móveis com muito sacrifício, levantou as portas, o vento e a chuva molharam-lhe o rosto, e ele perguntou com braveza:
— Que quer?
E um bêbado respondeu:
— Vim me pesar.
