Não há vaga no céu
O céu estava ficando muito cheio, e por causa disso São Pedro disse ao porteiro do céu que só deixasse entrar quem realmente teve uma morte terrível.
Ao mesmo tempo, na terra, um homem desconfiava que sua mulher estava lhe traindo enquanto ele trabalhava. Para tirar suas dúvidas e pegar a mulher no flagrante, ele trabalhou feito louco e até de noite todos os dias. Mas quando chegou na sexta ele saiu mais cedo e correu para casa. Quando chegou, procurou feito louco pelo amante da mulher e não encontrou nada; estava quase desistindo quando olhou para a sacada do prédio onde morava, no 13º andar, e viu os dedinhos do suposto amante.
Então ele começou a pisotear, bater, morder os dedos do Ricardão até que ele caiu da sacada. Mas o sujeito era de sorte, pois caiu em cima de uma árvore; o corno, não satisfeito, procurou o objeto mais pesado que tinha e atirou uma geladeira no amante da mulher. Logo em seguida apareceram ambulâncias, viaturas de polícia, e o corno, como não queria ser preso, se matou.
Nesse momento chegaram três homens no céu:
— O 1º estava um pouco sujo e todo machucado, e o porteiro pediu que ele contasse como morreu. Ele disse que estava limpando umas janelas no 14º andar e escorregou; por sorte conseguiu se segurar na sacada do 13º, mas daí veio um louco e começou a me bater, e eu caí em cima de uma árvore; não se dando por satisfeito, ele ainda me tacou uma geladeira.
O porteiro ficou comovido com a história do rapaz e o deixou entrar.
— O 2º contou que trabalhava a semana inteira feito um condenado para sustentar a família e sua mulher estava lhe corneando; então ele resolveu flagrar a mulher e acabou matando o amante dela, e como não suportava a ideia de ser preso, também se matou. O porteiro ficou com dó dele e deixou entrar no céu.
— O 3º, que estava pelado, disse ao porteiro:
— Eu tava dentro da geladeira que o corno tacou no lavador de janela.
