O caipira no exército
Um caipirinha de dezoito anos, desses que não podem ver calcinhas no varal, chega no exército e, depois de ter olhado por todos os cantos por uns dez dias e não ter visto nenhuma mulher, pergunta a um soldado que já é puta-velha:
— Aqui num tem mulherzinha não pra nóis se diverti?
E o malandro, percebendo o entusiasmo do menino, pensa alguns segundos e lhe orienta:
— Aqui é proibido entrar mulher, mas tem um cara que quebra o galho da rapaziada, entendeu?
O caipira diz:
— Se tá loco, sô?
O sacana lhe convence:
— Vai por mim, cara, todo mundo vai, o cara gosta de molecão assim como você, e já tô sabendo que ele tá de olho em você, se não vai dar mole, né, cara?
O menino se faz de sério e pergunta:
— Que moda é essa, sô?
E o cara explica:
— Se tá vendo aquela porta lá do outro lado do pátio? Quando o cara te chamar lá para conversar, pode ir fundo que ele tá afim. (A porta a que ele se referia era do escritório do tenente mais bravo do exército e que era doido pra mandar nego pro castigo.)
Passaram dois meses e nada do tenente chamar o cara, até que armaram pra cima do caipira e o tenente, espumando de raiva, chama o cara pra uma conversa. Quando o caipira recebeu o chamado para comparecer na sala imediatamente, o menino lambeu os beiços e disse pra si mesmo:
— É HOJE.
Entra o caipira na sala, e depois de alguns minutos começa uma quebradeira geral dentro da sala, cadeira voando pela janela, tentativa de arrombamento da porta e tudo mais, mas, depois de uma meia hora de pau, tudo se aquietou e um silêncio tomou conta.
Lá fora, os traíras, com a consciência pesada pela cagada.
A porta se abre e sai o caipira, colocando a camisa pra dentro da calça e esbravejando:
— OCHE, QUERIA DÁ NÃO, SÔ!
