O cirolão
Naquele tempo bem antigo, onde os homens ainda usavam cirola, tinha um caipira que nunca tinha usado cirola na vida. Sua mãe vivia dizendo:
— Alfredo, põe cirola, filho, porque se não, mulher nenhuma casa com você.
E ele dizia:
— Não, mãe, gosto de andar com o vento a favor.
Um dia ele foi numa festa e voltou todo empongado:
— Mãe, faz uma cirola pra mim. Mãe, mãe, tô namorando Mariazinha, faz uma cirola pra mim que eu vou ver ela no sábado, mãe.
E a mãe dele, no outro dia, foi na cidade e comprou 10 metros de pano e fez aquele cirolão com 5 metros de pano, e sobrou 5. Aí o caipira falou:
— Mãe, guarda esse pedaço de pano pra mim que, se furar, nós conserta.
E foi todo animado ver Mariazinha. Ele foi falando de sua casa até na casa de Mariazinha:
— Eu vou mostrar, Mariazinha, minha cirola. Ela vai gostar e vai casar comigo.
Só que no meio do caminho, como era época de amendoim e ele tinha comido muito amendoim cru, deu uma imensa vontade de cagar. Ele tirou a cirola com todo cuidado e colocou em cima de uma árvore. Quando acabou de fazer suas necessidades, vestiu a calça e foi embora, esquecendo sua cirola na árvore, e continuou falando sozinho:
— Mariazinha vai ver minha cirola e vai querer casar comigo.
E nem lembrado que deixou a cirola na árvore. Chegando lá, ele chamou a menina e falou:
— Mariazinha, tenho um negócio pra mostrar pra você.
Ela disse:
— Então mostra, Tonho.
Então, quando o caipira baixou a calça, Mariazinha gritou:
— Nossa, Tonho, que trem enorme!
E ele disse:
— Ainda tem 5 metros em casa.
