O corno assassino
Como o céu estava lotado, Deus decidiu que só iria aceitar a entrada no céu de quem morresse de uma forma muito ruim.
Um dia, chegou um cara falando que sua morte foi ruim e então poderia entrar no céu, e Deus pediu que ele contasse como foi a morte dele.
— Bem, eu moro no 20º andar de um prédio e suspeitava que minha mulher estava me traindo, mas nunca peguei ela no flagra.
— Um dia, quando cheguei mais cedo do serviço, percebi que ela estava com o amante. Quando entrei no quarto, encontrei ela deitada na cama, pelada e com aquela cara de santinha-do-pau-oco. Procurei no guarda-roupa, embaixo da cama, no banheiro, mas não encontrei o amante. Foi quando escutei um barulho na varanda e vi uns dedos pendurados. Pisei neles até o cara cair. Infelizmente, os fios elétricos amorteceram a queda e o cara não morreu. Minha mulher tentou impedir, mas joguei a geladeira nele. Fiquei tão feliz que ele morreu que tive uma parada cardíaca e aqui estou...
— Vai me deixar entrar no céu ou não vai, Deus?
— Bom, sua morte foi mesmo ruim. Pode entrar, meu filho.
Logo depois, chegou outro cara contando como foi a morte dele:
— Eu moro no 21º andar de um prédio. Tinha acabado de fazer a faxina no meu apartamento e fui fazer alguns exercícios na varanda.
— Quando estava pulando corda, escorreguei no produto de limpeza que estava no chão e caí. Por sorte, consegui agarrar na borda da varanda do andar de baixo, onde um homem furioso, que pensei que fosse me ajudar, pisou nos meus dedos até eu cair. Antes de bater a cara no chão, os fios elétricos amorteceram minha queda e só quebrei alguns ossos. Foi aí que o mesmo homem que esmagou meus dedos jogou uma geladeira lá de cima na minha cabeça. Então eu morri.
— É, sua morte foi realmente ruim... Pode ficar aqui no céu, meu filho.
Dali a pouco chega outro cara:
— O senhor não vai acreditar, Deus! Morri dentro de uma geladeira jogada do 20º andar de um prédio!!!
