Sarafina
O cego chega a uma cidade do interior, em uma mesa de bar, com uma foto na mão, e pergunta:
— Vocês conhecem essa mulher?
E os rapazes que estavam sentados comentam:
— Pia, rapaz, Raimunda, não deu pra mim, que sou filho do prefeito; pra tu, que é filho do delegado, vai dar. Pro cego, não vai dar, não.
Correram até uma casa de esquina onde estavam dezoito (18) seminaristas fazendo curso para padre, mas secos do que o mês de janeiro na Paraíba, e armaram a suruba. E disseram:
— Ceguim, terceira (3) casa do lado esquerdo, pode bater que é lá.
E o cego foi todo ansioso. Chegando lá, ele pergunta:
— É aqui que mora Raimunda?
E respondem:
— É aqui mesmo.
E puxam o cego para dentro da casa, tiram a roupa dele e começam a comer o cú do cego. Esse cego começa a gritar e um seminarista diz:
— Menino, toca a sarafina para ninguém escutar os gritos.
Aí a sarafina toca: turim... turim... turim... Os dezoito seminaristas comeram o cego e soltaram esse cego de ladeira abaixo, que foi pra casa e passou três semanas com o cú no molho de Ipoglós. Passado esse tempo, o cego resolveu se confessar. Quando o cego chega na igreja, que vai se sentar, começa a tocar a sarafina: turim... turim... turim... Esse cego levanta a bengala, encosta o rabo na parede, dizendo:
— Não venham, não, tá pensando que vai ser igual a outra vez que vocês me enrabaram? É dessa vez que eu fodo um!
E, arrastando o rabo na parede, vai embora da igreja. No meio do caminho, ele encontra uma beata que pergunta:
— Ceguim, a missa já começou?
E o cego responde:
— A missa não, mas a música de comer cú de cego já vai na terceira estrofe.
