Devoção caipira
Numa cidadezinha do interior, o bispo ficou sabendo que o povo do lugar não era nem um pouco temente a Deus.
Então resolveu mandar um padre até o lugar para ver se era verdade.
O padre chegou no vilarejo e procurou pelo coronel do lugar, mas como o coronel não podia atendê-lo, mandou um de seus jagunços ir ter com o padre.
O padre disse a todos que iria fazer mímicas e, se o matuto acertasse as mímicas, ele contaria ao bispo que a vila era santificada.
O padre mostrou uma maçã.
O matuto mostrou um pão.
O padre mostrou um dedo.
O matuto mostrou dois dedos.
O padre mostrou três dedos.
O matuto fechou a mão em punho e balançou.
O padre saiu do vilarejo super feliz, pois ele mostrou a maçã, símbolo do pecado.
O matuto mostrou o pão, símbolo do corpo de Cristo.
Disse que Deus era um (Pai).
O matuto disse que era dois (Pai e Filho).
O padre falou que Deus era três (Pai, Filho e Espírito Santo).
O matuto disse que Deus era tudo num só.
Em compensação, o matuto chegou para o patrão puto da vida e falou:
— Patrão, o filho da puta do padre perguntou se eu comia maçã.
Eu falei que comia pão.
Ele falou que ia botar um dedo no meu cú.
Eu falei que ia botar dois no dele.
Quando ele falou que ia botar três dedos, eu infezei e falei que botava a mão inteira e ainda balançava.
