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Migué de Bauru

Piada de Outras

Dois amigos conversavam num buteco nos anos 60 na cidade de Bauru. Um deles chamava-se Miguel, mas era conhecido por "Migué", que dizia ser muito famoso e conhecido.
Num certo momento da conversa, Migué afirmou ser amigo pessoal do Pelé, que na época jogava no Santos. O amigo duvidou. Então fizeram uma aposta e combinaram em ir para São Paulo, no estádio do Pacaembu, onde seria realizado um jogo entre Santos x Corinthians — o tal jogo do tabu. Pacaembu lotado, pessoas espremidas, fogos de artifício estourando. O Coringão entra em campo e o estádio quase vem abaixo. O Santos vem em seguida e o barulho é ensurdecedor.
Nisso o Migué vai até o alambrado e grita:
— Ô negãoooo!
O Santos estava posando para fotos, mas os fotógrafos tiveram que dar um tempo, pois o Pacaembu inteiro viu o Pelé sair em disparada aos gritos para o alambrado, gritando:
— Migué! Migué!
Para espanto do amigo, que perdera a aposta.
Os dois voltam para Bauru e surge outra aposta:
— Conheço Fidel Castro — afirma Migué.
Lá se vão os dois para Cuba, quando, ao chegarem, são informados pela segurança de Fidel de que haveria uma execução. Migué insiste que quer falar com Fidel mesmo assim, pede para os guardas informarem para Fidel que o Migué de Bauru está aqui. Os guardas se negam, mas Migué faz ameaças de que, se não for o que ele está mandando, quem serão executados serão eles. Os guardas se entreolham, cochicham, e um deles sobe as escadarias do palácio governamental cubano e leva a mensagem até a assessoria de Fidel. Ao ser informado, Fidel manda suspender a execução e corre para os braços de Migué, que ainda reclama do mal atendimento dos guardas. Fidel então dá um tapa no rosto em cada um dos guardas.
Atônito, o amigo não se conforma e retorna para Bauru completamente calado.
Depois de alguns dias, os dois amigos novamente em Bauru, e desta vez Migué afirma que também é amigo do papa Paulo VI. Desta vez o amigo vende tudo o que tem, para apostar e recuperar o que perdeu até então. Lá se vão os dois para Roma numa noite de Natal. Missa do galo. Praça de São Pedro lotada. Migué pede para o amigo aguardá-lo, pois ele vai subir até o papa, que está celebrando a missa. Desta vez o outro riu e falou:
— Desta vez eu duvido. Espie só toda esta segurança.
Migué responde:
— Não se preocupe.
Dali a pouco, o papa interrompe a missa do galo para abraçar o Migué de Bauru.
Desesperado com mais essa proeza, o amigo sai chutando tudo o que vê pela frente, quando se depara com um mendigo bêbado que lhe pede umas moedas. Curioso, o amigo do Migué interpela o homem, que em italiano diz que não sabe direito onde está e que havia perdido a memória. Penalizado, o amigo de Migué tenta ajudá-lo a se encontrar no tempo e no espaço. Teve uma ideia. Com certeza ele deve conhecer o papa. Nisso o amigo de Migué diz para o mendigo bêbado:
— Me diga uma coisa: olhe lá em cima, no alto da igreja. Quem é aquele senhor com um gorrinho branco na cabeça rezando a missa?
O mendigo lança o olhar para cima e, de repente, começa a esfregar os olhos, faz cara de espanto, frio, ri à toa, pula de alegria, e o amigo do Migué, satisfeito, acha que contribuiu para que o mesmo recuperasse a memória e assim amenizar a humilhação de perder mais uma aposta para Migué, quando, quase que alucinado, o mendigo lhe responde:
— Olha, aquele do gorrinho branco eu não sei quem é não, senhor, mas quem está ao lado dele é ele mesmo. Eu nem acredito, meu Deus! Mas é ele, tenho certeza absoluta.
— Mas ele quem? — pergunta o amigo do Migué.
— Vai me dizer que o senhor não conhece o 'Migué' de Bauru?
Nisso o mendigo levou tanta porrada do amigo do Migué e talvez até hoje não entendeu nada.

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