Os primos caipiras e as portas
Os dois primos do interior resolveram, pela primeira vez, fazer compras na capital paulista. Chegam num elegante shopping e entram pela porta giratória, rodam, rodam e saem pelo lado de fora do shopping.
— Ué! Mas purque colocaram isso aqui qui num dá pra nada! Se lá em riba tá escrito Shopin! — reclama um deles.
— Oi! Oi lá! É poita mágica! O home entrou lá dentro e num saiu mais! — diz o outro.
— Tão querendo inganá nois, primo! Vamu prum otro shopin! — e foram eles.
Na porta está escrito PUSH. Então, os dois puxam, puxam e a porta não abre.
— Num intendo mermo a cidade grande! — reclama um deles.
— Vamu andá mais e vê si encontremu o que podemos entrá! — disse o primo otimista.
E vão à procura de um outro shopping. Chegam em frente à porta e neste não está escrito nada. Então resolvem bater a porta.
— Ó de casa! Toc... Toc... — e ninguém vem atendê-los.
— Ó primo! Ninguém quer nois! — reclama o primo pessimista. E nesse instante, outro cliente aperta um botão, a porta abre e ele entra.
— Vê só! Granfino eles deixa entrá e nois, não! — reclama desiludido o primo pessimista.
— Ah! Vamu deixá esse shopin preconceituso e vamu procurá otro. — disse o primo otimista.
— Primo! Vamu desistí das compras! — convida o primo pessimista.
— Não sinhô! É esperança e a úrtima que morre, num é. Intão vamu procurá otro shopin qui num é preconceituso. Devedite!
E eles chegam a um outro shopping e a porta com sensor abre imediatamente com a chegada dos dois.
— Num falei, num falei! Esse não é preconceituoso! — disse o primo otimista.
— Não é qui tem genti boa na capitar tamém!
